stima-se que 3,12 milhões de pessoas necessitem de assistência humanitária urgente e proteção em 2025 (…), a insegurança alimentar em Moçambique deverá agravar-se devido à combinação de choques climáticos, conflitos e esgotamento dos alimentos”, lê-se num relatório daquele estrutura global, que coordena a resposta à segurança alimentar, coliderado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e pelo Programa Alimentar Mundial.
De acordo com o mecanismo, apesar dos dados preocupantes, atualmente foi desembolsado apenas 1% dos mais de 392 milhões de dólares (361 milhões de euros) necessários para assistir os afetados no país.
No presente ano, mais de 910 mil pessoas que vivem em situação de insegurança alimentar aguda elevada em Moçambique poderão passar para a fase de emergência, refere-se ainda no documento.
As autoridades moçambicanas lançaram na terça-feira um plano de assistência humanitária avaliado em 48,9 mil milhões de meticais (709,6 milhões de euros) para apoiar os deslocados internos afetados pelos desastres naturais e pela insegurança armada no país.
O plano “define as ações de resposta à deslocação interna e redução da pobreza em matérias de acesso aos serviços sociais básicos como a educação, saúde, saneamento e abastecimento de água, inclusão e segurança social, bem como proteção e oportunidades económicas”, disse a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, Luísa Meque, durante o lançamento da estratégia denominada “plano de Ação Nacional para Gestão de Deslocados Internos”, em Maputo.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.
Só entre dezembro e março, o país já foi atingido por três ciclones, que, além da destruição de milhares de casas e infraestruturas, provocaram cerca de 175 mortos, no norte e centro do país.
Eventos extremos, como ciclones e tempestades, provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.
Por outro lado, desde outubro de 2017 que Cabo Delgado, província do norte rica em gás, enfrenta uma rebelião armada, que provocou milhares de mortos e uma crise humanitária, com mais de um milhão de pessoas deslocadas.
Só em 2024, pelo menos 349 pessoas morreram em ataques de grupos extremistas islâmicos na província, um aumento de 36%, segundo dados do Centro de Estudos Estratégicos de África, uma instituição académica do Departamento de Defesa dos Estados Unidos que analisa conflitos em África.
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