
A Croácia decidiu impor um limite temporário ao preço dos combustíveis, fixando o valor máximo da gasolina em 1,50 euros por litro durante duas semanas. A medida surge num momento de forte pressão sobre os mercados energéticos, provocada pela escalada militar no Médio Oriente e pelas perturbações no comércio global de petróleo.
De acordo com o jornal Expresso, o Governo croata anunciou que o teto será aplicado à gasolina Eurosuper, enquanto o preço máximo do gasóleo ficará nos 1,55 euros por litro. A decisão entra em vigor esta terça-feira, 10 de março, e pretende evitar que a subida abrupta das cotações internacionais se reflita de forma imediata nas bombas de combustível.
Resposta rápida à subida global dos preços
A decisão croata surge num contexto internacional marcado por tensões militares e instabilidade energética. Segundo a mesma fonte, o agravamento da situação no Médio Oriente contribuiu para uma subida acentuada do preço do petróleo nos mercados internacionais.
O conflito intensificou-se depois de um ataque militar lançado pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão no final de fevereiro. Conforme a mesma fonte, a ofensiva resultou na morte do ayatollah Ali Khamenei, líder supremo iraniano desde 1989, desencadeando uma série de retaliações na região.
Ponto estratégico no centro da crise
Após o ataque, o Irão respondeu com operações militares contra diversos alvos, incluindo posições em Israel e bases norte-americanas no Médio Oriente. A mesma fonte refere que também foram registados ataques contra infraestruturas em países, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
O impacto global intensificou-se quando Teerão decidiu encerrar o estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. Por este corredor marítimo circulam cerca de 20% da produção mundial de petróleo e uma percentagem semelhante do comércio global de gás natural liquefeito.
Outros países procuram soluções diferentes
Enquanto a Croácia optou por limitar diretamente os preços, outros países europeus discutem medidas alternativas. Em França, por exemplo, o gasóleo atingiu recentemente os dois euros por litro, aumentando a pressão política sobre o Governo.
Segundo a mesma fonte, o executivo francês tem sido pressionado pela oposição para intervir, mas recusa para já recorrer a apoios públicos diretos à compra de combustível. O argumento apresentado centra-se no impacto que esse tipo de medida poderia ter nas contas públicas de um país que acumula défices orçamentais há vários anos.
Também a Hungria anunciou novas medidas para enfrentar a subida dos preços da energia. O primeiro-ministro Viktor Orbán revelou que o Governo decidiu estabelecer um preço máximo para a gasolina e para o gasóleo.
Num vídeo divulgado nas redes sociais, o líder húngaro afirmou: “Estamos a introduzir um preço protegido para a gasolina e para o gasóleo, acima do qual os preços de venda ao público não podem subir”. Acrescenta o Expresso que a medida será aplicada a veículos registados e licenciados na Hungria, abrangendo particulares, agricultores, transportadores e empresários.
Mercado energético sob pressão crescente
A Hungria já tinha recorrido a um mecanismo semelhante entre novembro de 2021 e junho de 2022, numa tentativa de conter a inflação. No entanto, refere a mesma fonte, a medida acabou por ser abandonada devido ao açambarcamento registado em vários postos de combustível.
A atual intervenção dos governos europeus mostra como a instabilidade geopolítica continua a influenciar diretamente os preços da energia. Enquanto alguns países procuram limitar os custos para os consumidores, outros preferem evitar intervenções diretas num mercado que permanece altamente volátil.
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