Passar mais tempo ao ar livre melhora os hábitos alimentares

Passar mais tempo na natureza não é só benéfico para o nosso bem-estar e saúde, mas também contribui para a adopção de uma alimentação mais equilibrada. Um estudo da Universidade Drexel, em Filadélfia, nos EUA, concluiu que o contacto com espaços verdes aumenta o consumo de frutas e legumes.

A investigação publicada na revista Social Science & Medicine analisou 300 adultos nos EUA, aos quais foi pedido que registassem tanto o tempo passado ao ar livre como os seus hábitos alimentares na semana anterior. Os investigadores classificaram as interacções com a natureza em três categorias: indirectas (observar a natureza, mas não estar nela), acidentais (ter plantas em casa) e intencionais (visitar um parque ou floresta).

Os investigadores da Faculdade de Enfermagem e Profissões da Saúde descobriram, então, que as interacções acidentais e intencionais com a natureza apresentam uma correlação significativa com uma “dieta de maior qualidade e um padrão alimentar mais sustentável”, lê-se no estudo.

Numa segunda fase, 30 participantes do inquérito foram entrevistados mais aprofundadamente de forma a perceber-se melhor as relações entre a natureza e a dieta. Durante as entrevistas, foi pedido aos participantes que avaliassem a sua preferência por estar em contacto com a natureza — numa escala de “gosta da natureza” a “prefere ficar em casa” — e também que explicassem o porquê das suas avaliações.

“Os nossos resultados estão entre os primeiros a mostrar que passar tempo na natureza pode promover hábitos alimentares mais saudáveis”, afirma Dahlia Stott, líder do estudo, e especialista em Ciências Nutricionais.

“Esta linha de investigação está a ajudar-nos a compreender que a natureza não é apenas um pano de fundo para comportamentos saudáveis, mas sim um ingrediente activo para a saúde”, refere a co-autora do estudo, Brandy-Joe Milliron, professora associada da Faculdade de Enfermagem e Profissões da Saúde. “Acreditamos que isto nos pode ajudar a desenvolver intervenções que aproveitem intencionalmente estas ligações”, acrescenta.

Reduzir a depressão

Nas entrevistas, os investigadores descobriram que a saúde mental e o sentimento de ligação à natureza eram importantes e que os participantes afirmaram desejar melhorar a sua saúde física. Os participantes procuraram atingir esse objectivo através do contacto com a natureza, o que influenciou os seus hábitos alimentares posteriores.

Os participantes referiram que estar em contacto com a natureza reduziu a depressão, a ansiedade e o stress e quem o relatou apresentou relações mais fortes entre a interacção com a natureza e os hábitos alimentares, realça Dahlia Stott. Nas entrevistas, os participantes afirmaram que a natureza os incentivou a comer mais frutas e legumes. Posto isto, Stott constata que “passar tempo na natureza aumenta a ligação das pessoas com a mesma, e esta ligação, por sua vez, promove uma dieta mais saudável e sustentável”.

Para a especialista em Ciências da Nutrição, “existem alguns mecanismos diferentes que podem estar em causa aqui, mas se as pessoas passarem mais tempo na natureza, se nós, como humanidade, passarmos mais tempo na natureza, acredito que seremos mais saudáveis no geral”. Portanto, o contacto com os espaços verdes é uma forma acessível para as pessoas melhorarem a sua saúde.

“Trata-se de encontrar o parque mais próximo, o espaço verde mais próximo ou talvez passar algum tempo no seu próprio quintal para promover a sua saúde”, aconselha Stott. “E de várias formas, não apenas em relação aos hábitos alimentares, porque estamos a observar uma série de outros benefícios para a saúde mental e física. Por isso, espero que este estudo ajude a reforçar a importância de passar tempo na natureza para melhorar a saúde pessoal e planetária”, remata.

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