
O Eurodeputado Paulo do Nascimento Cabral afirmou que “a agricultura é essencial para a autonomia estratégica da União Europeia e um pilar fundamental da sua segurança e defesa coletiva”, no âmbito da conferência que organizou sob o tema “Agricultura e Defesa: Reforçar a Segurança Alimentar e a Autonomia Estratégica na União Europeia”, que decorreu no Parlamento Europeu, em Bruxelas. A iniciativa, amplamente participada, contou com a participação de Eurodeputados, da Comissão Europeia (DG AGRI e DG Defesa), da Presidência do Conselho da União Europeia e do setor agrícola, tendo sido encerrada com uma mensagem em vídeo do Ministro da Agricultura e Pescas de Portugal, José Manuel Fernandes.
Reagindo às intervenções dos representantes da Comissão Europeia, o Eurodeputado do PSD salientou que “mais do que nunca, importa que tenhamos o nível de reservas e armazenamento necessários para alimentar os europeus sem constrangimentos. E se, como acabámos de ouvir, a Comissão, no âmbito do plano apresentado (Plano Europeu para prevenir e reagir a ameaças e crises emergentes), aconselha os cidadãos a manterem reservas alimentares para três dias nas suas casas, então a agricultura da União Europeia deve ter as condições necessárias para produzir essas mesmas reservas. É, por isso, fundamental reduzir as importações, que se podem tornar vulnerabilidades externas da União Europeia, apostando numa produção interna robusta de culturas e setores em que continuamos estruturalmente dependentes. Mas para isso precisamos de uma PAC devidamente financiada, pelo que foi com muita satisfação que ouvi da representante do Comissário da Defesa, que a PAC deve ter um orçamento robusto”.
Paulo do Nascimento Cabral chamou a atenção para a necessidade urgente de se “olhar para o setor agrícola como fundamental para a sobrevivência do projeto Europeu e dos próprios europeus e apostar em cadeias de abastecimento verdadeiramente resilientes, capazes de absorver choques e de garantir um fornecimento estável e contínuo de produtos agrícolas mesmo em cenários de crise”.
O Eurodeputado do PSD voltou a insistir na importância de se simplificar os procedimentos e aliviar a carga burocrática que recai sobre os agricultores. “É inaceitável que a complexidade dos processos administrativos impeça sobretudo os pequenos e médios agricultores de aceder aos fundos e instrumentos de apoio que lhes são destinados. Igualmente considero ser imperativo um novo olhar sobre a renovação geracional. Temos de voltar a dar futuro à agricultura. Isso significa criar condições reais para que os jovens e novos agricultores possam entrar no setor, com acesso a formação, ferramentas digitais, financiamento e estabilidade para desenvolverem os seus projetos. Quem irá produzir os nossos alimentos se não conseguirmos garantir a continuidade de quem trabalha a terra? É, portanto, fundamental aproveitarmos as sinergias com o setor da defesa e o papel das tecnologias espaciais, como instrumentos indispensáveis à modernização do setor, para termos informações por satélite, utilização de drones, agricultura de precisão, entre outros, que me parecem que podem ser um atrativo para os nossos jovens e para o setor, conseguindo uma gestão mais inteligente dos recursos, rastreabilidade, uma maior produtividade e uma capacidade de inovação sustentada ao longo da cadeia de valor, numa maior eficiência dos recursos disponíveis”.
“Apelo igualmente ao reforço da capacidade de resposta da União Europeia perante crises agrícolas e perturbações de mercado. É imprescindível dispor de uma reserva agrícola mais flexível e suficientemente dotada de recursos, que possa atuar com rapidez e eficácia sempre que o setor enfrente situações de instabilidade”, afirmou, por outro lado, Paulo do Nascimento Cabral.
Paulo do Nascimento Cabral concluiu enaltecendo a “convergência de posições sobre a importância da agricultura na autonomia estratégica da União Europeia, sendo considerada também como um pilar fundamental da segurança e defesa europeias. Isto deixa-me satisfeito, porque desde a primeira hora tenho alertado para isto, bem como para a necessidade de termos um orçamento da PAC robusto, que permita fazer face a todos estes desafios. Temos de perceber a segurança e defesa europeias de um forma mais abrangente e a produção de alimentos é essencial, e repetindo-me, de que vale apostar em equipamentos militares, se não conseguirmos alimentar os europeus ou os exércitos?”
O artigo foi publicado originalmente em PSD Açores.