
Aumentar a investigação sobre as causas do declínio dos insetos, promover a sua proteção e consciencializar a população portuguesa sobre a importância dos seus serviços ecossistémicos são as principais linhas orientadoras do novo Plano para a Conservação e a Sustentabilidade dos Insetos Polinizadores em Portugal.

A estratégia, aprovada esta semana pelo Governo, conta com um financiamento de dois milhões de euros provenientes do Fundo Ambiental. A verba será aplicada nos próximos dois anos com o intuito de desenvolver iniciativas como a monitorização dos polinizadores, o restauro de habitats, a capacitação científica e a divulgação de boas práticas no país.
“Com este plano, reforçamos o conhecimento científico, mobilizamos a sociedade e criamos condições para proteger estas espécies e garantir paisagens mais resilientes para o futuro”
Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho
Desenvolvida no âmbito do projeto PolinizAÇÃO e em articulação com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a elaboração do programa, segundo o Ministério do Ambiente e Energia, contou ainda com o contributo de especialistas, de entidades públicas e privadas, de membros da rede poli.net e de cidadãos.
| Polinizadores com mais registos de observação em Portugal |
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Fonte: Projeto PolinizAÇÃO |
Procurando desenvolver um plano abrangente, o programa visa incluir uma elevada densidade de polinizadores, com 746 espécies de abelhas, 148 de borboletas diurnas, cerca de 2.600 borboletas noturnas e ainda 221 espécies de sirfídeos, conhecidos como moscas-das-flores, entre outros grupos.
As grandes ameaças
Os polinizadores desempenham um serviço vital para os ecossistemas, assegurando o equilíbrio na natureza, na agricultura e no bem-estar humano.

Embora a sua importância seja amplamente reconhecida, os insetos estão atualmente sujeitos a inúmeras pressões, desde alterações do uso e da ocupação do solo, promovendo a uniformização da paisagem, até invasões biológicas e alterações climáticas.
Dos himenópteros – vespas, abelhas e formigas – a maior espécie polinizadora de Portugal é a vespa-mamute. Podendo atingir 60 mm, é uma das maiores vespas da Europa e, muitas vezes, confundida com a vespa asiática.
Estes constrangimentos representam uma séria ameaça à conservação de biodiversidade funcional, bem como à produção sustentável de alimentos cultivados.
Em Portugal existem mais de mil espécies de insetos polinizadores, entre abelhas, abelhões, vespas, moscas, borboletas e escaravelhos. Se os insetos polinizadores desaparecerem, a maioria das plantas não conseguirá reproduzir-se e acabará também por desaparecer.

Como consequência, os humanos e outros animais deixarão de ter importantes fontes de alimentos (frutos, sementes, entre outros) e os ecossistemas naturais ficarão seriamente fragilizados.
Sabia que a borboleta-do-medronheiro, que podemos ver a voar entre março e outubro, é uma das maiores borboletas diurnas polinizadoras em Portugal? Com 80 mm é a espécie diurna com maior envergadura da Europa, ocorrendo em quase todo o território português, em especial no Algarve e na área de Lisboa.
O objetivo do Plano de Ação para a Conservação e Sustentabilidade dos Polinizadores é, como tal, desenvolver uma estratégia nacional que visa reforçar o conhecimento científico e a monitorização das espécies polinizadoras, promover modelos sustentáveis de gestão do território, lançar iniciativas de educação e comunicação e integrar medidas de conservação nas políticas públicas da administração central e regional.
Referências da notícia
Aprovado plano de defesa dos polinizadores para proteger biodiversidade. Portugal.gov.pt
Projeto PolinizAÇÃO – Plano de Ação para os Polinizadores