
Investigadores da Ruhr University Bochum, na Alemanha, descobriram que a bactéria Rhodococcus opacus 1CP possui múltiplos caminhos metabólicos que lhe permitem decompor compostos aromáticos tóxicos, oferecendo novas soluções para a biotecnologia ambiental.
Muitos compostos aromáticos, como fenóis, cresóis e estirenos, são prejudiciais para os organismos e para o ambiente, acumulando-se frequentemente devido a processos industriais. A equipa liderada pelo Professor Dirk Tischler, do Microbial Biotechnology Research Group, analisou o genoma da bactéria e identificou diversas vias metabólicas potenciais, que permitem à Rhodococcus opacus 1CP atuar como um verdadeiro “especialista em limpeza” sob diferentes condições ambientais. Os resultados foram publicados no dia 27 de março de 2026 na revista Applied and Environmental Microbiology.
Segundo Dirk Tischler, a bactéria se distingue por um genoma particularmente grande, que codifica numerosas enzimas, muitas das quais redundantes. Estas enzimas transformam os substratos de forma sequencial, formando vias metabólicas que permitem, por exemplo, converter estireno em CO₂. “Neste processo, a bactéria obtém energia e ao mesmo tempo limpa o ambiente: um elemento central da biotecnologia ambiental”, explica o investigador.
A redundância enzimática revela-se uma vantagem: diferentes enzimas da mesma classe podem ser produzidas conforme as condições ambientais, como a concentração de oxigénio, temperatura ou disponibilidade de nutrientes. Esta capacidade de adaptação rápida é crucial, sobretudo num contexto de alterações climáticas.
Os investigadores descobriram ainda que a desativação de uma enzima pode ativar novas vias metabólicas. Por exemplo, na degradação de fenóis e cresóis, três enzimas normalmente ativam estes compostos e formam catecóis; se forem bloqueadas, outras enzimas assumem a função, permitindo a decomposição por rotas alternativas. “Ainda há muito por descobrir”, conclui Dirk Tischler, sublinhando o potencial destas bactérias para apoiar os ecossistemas na remoção de poluentes de forma natural.
Leia o Comunicado, em inglês, no site da Ruhr University Bochum.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.