Produção de vinho em Portugal continua em queda. Campanha 2025/2026 trouxe um decréscimo de 14% face ao ano anterior

Vinho
Em relação à média das cinco campanhas vitivinícolas anteriores, Portugal registou uma redução de 16% na produção de vinho, revela o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV).

O Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), que agora é presidido por Francisco Toscano Rico, divulgou no final de dezembro os valores do apuramento final da produção de vinho em Portugal na campanha 2025/2026.

Na campanha 2024/2025 tinha havido um decréscimo de 8% face à campanha 2023/2024. Na campanha de 2025/2026, cujas declarações de colheita foram entregues até 30 de novembro elos viticultores, o IVV revela que se verificou uma diminuição do volume de produção, com um total registado de 5,9 milhões de hectolitros (Mhl) de vinho, significando um decréscimo de 14% face à campanha 2024/2025.

Em relação à média das cinco campanhas vitivinícolas anteriores, observou-se uma redução de 16% na produção de vinho em Portugal, explica ainda o IVV.

Na generalidade, as produções por região registam um decréscimo, face à campanha anterior. Na região do Douro deu-se uma redução de 34%, no Algarve a produção de vinho caiu 20%, no Alentejo baixou 19% e em Trás-os-Montes decresceu 18%.

Douro e Alentejo com queda mais abrupta

Já as regiões do Douro e do Alentejo foram aquelas onde o decréscimo da produção de vinho foi mais abrupto, em volume, comparativamente à última campanha, totalizando cerca de 780 mil hectolitros.

Ao inverso, as regiões dos Açores (+221%) e da Beira Interior (+2%) destacaram-se, nesta última campanha com aumentos significativos de produção face a 2024/2025.

Vinho
Na generalidade, as produções por região caíram face à campanha anterior. Na região do Douro deu-se uma redução de 34%, no Algarve a produção de vinho caiu 20% e no Alentejo a produção baixou 19%.

O IVV revelou ainda em finais de dezembro que as produções declaradas como aptas a Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP) continuaram a ser dominantes, mantendo nesta campanha 91% da produção nacional.

Predominância do vinho tinto

E continua a haver uma predominância para a produção de vinhos tintos, em linha com o verificado nos últimos anos. Esta categoria de representou, nesta última campanha, 53,9% do total produzido.

O volume dos vinhos brancos, que tem demonstrado uma tendência de crescimento na produção e, também, junto dos consumidores, ficou ligeiramente acima dos 2,3 milhões de hectolitros na campanha de 2025/2026, com um peso de 39,4% na produção nacional. Os vinhos rosados, esses, representam 6,7%. O IVV faz notar que, entre os fatores que contribuíram para o decréscimo na produção de vinho em Portugal nesta campanha esteve a “instabilidade meteorológica, marcada por precipitação intensa e temperaturas amenas na primavera”, que favoreceram o desenvolvimento de doenças fúngicas, sobretudo o míldio.

na campanha de 2024/2025 o setor vitivinícola tinha enfrentado um enorme desafio e contrariedade: “a instabilidade meteorológica durante o ciclo vegetativo da videira” que favoreceu o surgimento de doenças, com especial incidência do míldio.

Fruto dessas condicionantes, o volume de vinho produzido nessa campanha foi de 6,9 milhões de hectolitros, representando um decréscimo de 8% face à campanha 2023/2024, com quebras superiores a 20% nas regiões dos Açores, Bairrada, Dão, Península de Setúbal e de Lisboa.

Em sentido contrário, no Algarve e na Beira Interior a colheita cresceu mais de 20%, na campanha de 2024/2025 e nas regiões do Douro e dos Vinhos Verdes também houve aumentos, de 5% e 10%, respetivamente, apesar das previsões negativas que tinham sido avançadas em julho de 2024.

Adegas com 454,43 milhões de euros de faturação

No dia 10 de dezembro, a Fenadegas – Federação das Adegas Cooperativas de Portugal apresentou publicamente, em Lisboa, um estudo denominado “Impacto Socioeconómico das Adegas Cooperativas em Portugal”.

O evento, que contou com a participação, na sessão de encerramento, do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, evidenciou o contributo económico, social e territorial das adegas cooperativas para o país, destacando o papel que estas organizações desempenham na coesão das comunidades rurais, na valorização da produção vitivinícola e na sustentabilidade do setor.

Olhando para o documento da Fenadegas é possível verificar que as adegas cooperativas geram um volume de negócios anual de 454,43 milhões de euros e uma produção de 434,90 milhões de euros. Em termos de criação de riqueza e sua distribuição, as adegas cooperativas geraram 110,90 milhões de euros de valor acrescentado bruto (VAB). Empregando 1 556 trabalhadores, elas têm “um peso expressivo dentro da própria indústria do vinho”, revela o estudo.

Olhando para o total do setor vitivinícola, as adegas cooperativas geram cerca de 21,75% do volume de negócios, 20,88% da produção, 20,88% do VAB, 17,05% das remunerações e asseguram 12,79% do emprego desta atividade.

Uvas
A Fenadegas – Federação das Adegas Cooperativas de Portugal apresentou a 10 de dezembro, em Lisboa, um estudo denominado “Impacto Socioeconómico das Adegas Cooperativas em Portugal”.

O estudo de impacto económico divulgado pela Fenadegas mostra igualmente o efeito total das adegas cooperativas em matéria de impostos. O contributo fiscal é considerado “expressivo para a economia nacional”, totalizando “259,4 milhões de euros”.

Desta receita, o IVA representa a maior fatia, com 127,5 milhões de euros, seguido das contribuições para a Segurança Social, com 66,7 milhões de euros. O impacto estende-se ainda ao IRS, com 42,6 milhões de euros, e ao IRC, que acrescenta 22,6 milhões de euros.

O estudo “Impacto Socioeconómico das Adegas Cooperativas em Portugal” promovido pela Fenadegas faz notar que estas estruturas “criam um forte efeito de arrastamento económico” no país, alavancando setores diretamente ligados à produção vitivinícola, como agricultura, bebidas, minerais não metálicos, produtos químicos, publicidade, papel, madeira e serviços de logística.

As cooperativas fomentam igualmente as atividades ligadas aos serviços e comércio impulsionadas pelos efeitos indiretos, como a restauração, vendas por grosso e a retalho, energia, transportes, alojamento e serviços financeiros.

A este movimento soma-se ainda o “impacto induzido”, que se espalha pelos vários setores e que estão associados ao consumo das famílias e que incluem serviços imobiliários, saúde, educação, comércio, energia e serviços pessoais.

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