Sabugal organiza Simpósio da Castanha em julho para valorizar produção

uita gente não sabe que aqui há castanha e de qualidade. Por isso, o simpósio vai servir para valorizar em termos comerciais este produto autóctone”, justificou, à agência Lusa, a vice-presidente da Câmara, Sílvia Nabais (PSD).

Apresentada hoje na Câmara do Sabugal, no distrito da Guarda, a iniciativa é organizada pelo município, Associação Portuguesa da Castanha (Refcast), Sociedade de Ciências Agrárias de Portugal (SCAP) e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

O simpósio vai decorrer no pavilhão da ExpoSabugal e incluirá palestras e conferências com profissionais e investigadores, uma área expositiva, saídas de campo para soutos locais e sessões técnicas para produtores.

“Será um momento para realçar a importância da castanha no território, tanto a nível económico e ambiental — porque os terrenos tratados ficam menos expostos aos incêndios –, mas também para a fixação das pessoas”, sustentou Sílvia Nabais.

A vice-presidente do município raiano espera que o simpósio seja “impulsionador e fator de promoção da castanha do Sabugal, que tem atualmente mais de 700 hectares de soutos e é responsável por 14% da produção de castanha da zona Centro”.

“O rendimento estimado é da ordem dos 1,2 milhões de euros para os 218 produtores do concelho, mas a área de soutos tem vindo a aumentar porque é uma cultura que vale a pena porque gera mais-valias importantes”, realçou a autarca. 

Na apresentação do evento, Alberto Barata, técnico superior da Câmara do Sabugal, destacou que será a primeira vez que o Simpósio da Castanha se realiza fora de uma zona DOP (Denominação de Origem Protegida). 

“O Simpósio realiza-se de três em três anos e aconteceu sempre nas regiões com mais notoriedade em termos de produção de castanha em Portugal”, assinalou.

Na sua opinião, o encontro é “importante para valorizar o nosso produto, trazendo investigadores, mas também quem compra e negoceia. O Sabugal tem área e qualidade, só falta que a nossa castanha seja reconhecida”.

A Câmara do Sabugal já apresentou um pedido para integrar a DOP Soutos da Lapa, que abrange concelhos como Trancoso, Mêda, Aguiar da Beira, no distrito da Guarda, e Sernancelhe, já no distrito de Viseu, entre outros, mas foi recusado.

“A candidatura foi apresentada com os municípios da Guarda e Celorico da Beira, mas a DOP Soutos da Lapa não aceita alegando que o seu território não deve ser alargado”, revelou Sílvia Nabais.

Entretanto, o município do Sabugal continua a apostar na plantação de castanheiros através do apoio financeiro e técnico aos produtores locais, com a colaboração da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

No âmbito dessa parceira, a Câmara está a patrocinar duas teses de mestrados naquela universidade, sediada em Vila Real, sobre o cadastro dos soutos e a caracterização da fileira da castanha no concelho do Sabugal. 

“Temos ainda um viveiro experimental na colónia agrícola de Martim Rei, cujo responsável é Alberto Barata, onde projetamos criar um centro de investigação e de trabalho prático em torno do castanheiro, além de ter também uma área para as escolas”, anunciou a vice-presidente da Câmara do Sabugal.

A martaínha é a variedade predominante no concelho sabugalense, onde também se encontra castanha rebordã. A produção situa-se na zona raiana da fronteira com Espanha, sobretudo na freguesia de Foios.

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