por henrique pereira dos santos, em 31.03.26
Vejo que a agência Lusa (e, consequentemente, um monte de jornais, rádios, TV, disco e cassetes pirata) nos informa que um dia destes “Mais de 100 operacionais, apoiados por três meios aéreos, estavam este sábado, pelas 18h20, a combater um incêndio na zona da Pedra Bela no Parque Nacional da Peneda-Gerês“.
Igualmente via agência Lusa, ficamos a saber que um senhor foi detido por andar a queimar sobrantes e uma das queimas se ter descontrolado.
Paulo Fernandes fez notar que o dia 28 de Março (mais dia, menos dia, na mesma altura em que se andou a deitar dinheiro à rua no Gerês e a prender gente em Tarouca), foi de longe o melhor dia do ano, até ao dia em que o Paulo escreveu (o dia seguinte, 29 de Março) de prevenção não institucional do fogo mau, ilustrando com este boneco (e outro que não reproduzo e mostra o céu obscurecido com fumo das centenas de queimadas que ocorriam, e bem, nesse dia).

O Governo, perdido no seu labirinto nesta matéria, entretém-se a nomear presidente da Florestgal um conterrâneo do Ministro, a desenhar programas para apoio ao uso da biomassa completamente delirantes e a pôr o seu saco azul para estas matérias (igualmente conhecido como Fundo Ambiental) a financiar acções de fogo controlado desde que não sejam feitas por quem realmente usa o fogo de forma útil (as pessoas e empresas que o usam como ferramenta de gestão), com a particularidade de definir valores estratosféricos para o fogo controlado em matos, que é barato, e apenas mais um terço para fogo controlado em povoamentos, onde é realmente mais complicado e caro usá-lo.
Resumindo, onde está a ocorrer um fogo útil e sem custos para o contribuinte, o país desperdiça rios de dinheiro em bombeiros e meios aéreos (comme ils disent) para apagar fogo que está a fazer trabalho útil de prevenção, e depois desperdiça dinheiro a tentar mobilizar gente sem interesse no uso do fogo para que queimem qualquer coisa, ao mesmo tempo que exclui dos beneficiários os principais agentes disponíveis para produzir o serviço pretendido.
Felizmente, para o país, os pastores e outros que tais, como precisam mesmo do fogo, fazem-no sem custos para o contribuinte e, frequentemente, estando-se nas tintas para uma regulamentação do fogo discutível, mas um país que gasta dinheiro dos contribuintes a contrariar o que é útil, gasta dinheiro dos contribuintes a tentar que quem não tem interesse faça coisas inúteis, e persegue quem, sem custos para o contribuinte, presta serviços úteis à comunidade, é natural que seja um país onde as pessoas ganham mal, pagam muitos impostos e ainda tenham mais dificuldades na vida que as necessárias.
O artigo foi publicado originalmente em Corta-fitas.