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Os agricultores são obrigados a realizar análises químicas do solo, mas a componente biológica, o microbioma, continua praticamente invisível na prática agrícola. É este o problema que a PRETECHt, spin-off da Universidade do Minho, quer resolver. Joana Castro, autora da tecnologia, explica como transformar biologia complexa em decisões claras pode mudar a forma como se faz agricultura.
A criação da PRETECHt teve origem na constatação de que na agricultura moderna, mede-se quase tudo (pH, nutrientes, humidade) exceto aquilo que sustenta o sistema vivo.
“A PRETECHt nasceu de uma constatação simples: medimos quase tudo na agricultura, exceto aquilo que sustenta o sistema vivo. Os agricultores são obrigados a realizar análises químicas do solo, mas a componente biológica, o microbioma, continua praticamente invisível na prática agrícola. E, no entanto, é essa comunidade invisível de microrganismos que regula a fertilidade, a resiliência e a produtividade”, explica Joana Castro.
A empresa percebeu que existia ciência de excelência nesta área, mas faltava tradução para o terreno. A PRETECHt surge precisamente para transformar biologia complexa em decisões práticas para agricultores.
Antecipar em vez de reagir
A grande diferença da abordagem está na capacidade de antecipação. O microbioma funciona como um sistema de alerta precoce, antes de uma cultura apresentar sintomas de stress ou quebra de produtividade, o ecossistema microbiano já começa a dar sinais de desequilíbrio.
Ao monitorizar padrões de diversidade e funcionalidade, a PRETECHt consegue identificar tendências antes que se tornem problemas visíveis. É a diferença entre reagir a uma crise ou preveni-la com base em dados.
A tecnologia combina duas ferramentas poderosas. A sequenciação genómica permite “ler” o ADN presente numa amostra de solo e identificar milhares de microrganismos em simultâneo. Mas gerar dados não é suficiente, é preciso interpretá-los.
“A sequenciação genómica permite-nos ‘ler’ o ADN presente numa amostra e identificar milhares de microrganismos em simultâneo. Mas gerar dados não é suficiente. É aqui que entra a inteligência artificial: utilizamos modelos computacionais para interpretar grandes volumes de informação biológica e extrair padrões relevantes. O nosso foco não é apenas gerar relatórios, mas criar inteligência aplicada.”
Esta combinação permite passar de informação bruta sobre microrganismos para recomendações concretas sobre gestão do solo e das culturas.
“A utilização mais inteligente”
A PRETECHt está a estruturar um modelo flexível que combina análises pontuais com soluções de monitorização contínua. Os primeiros clientes são produtores tecnicamente diferenciados e empresas do setor que veem na biologia uma vantagem competitiva, não apenas um requisito ambiental.
Quanto ao impacto na redução de químicos, Joana Castro é clara: não se trata de substituição simplista, mas de utilização mais inteligente.
“Não defendemos uma substituição simplista de insumos (inputs), mas uma utilização mais inteligente. Ao compreender melhor o funcionamento biológico do sistema, é possível otimizar fertilização, reduzir desperdícios e aumentar eficiência. Acreditamos que o futuro da agricultura não está em usar mais, mas em usar melhor, com base em dados.”
Ser um spin-off da Universidade do Minho dá à PRETECHt rigor científico e proximidade à investigação de ponta. Mas a ambição vai além da academia, querem levar esse conhecimento para o mercado, criando impacto real.
A empresa posiciona-se como parte da transição que a agricultura enfrenta. Alterações climáticas, novas exigências regulatórias e pressão económica obrigam a sistemas mais resilientes. A PRETECHt quer trazer a dimensão biológica para o centro da decisão agrícola. Porque, como sublinha Joana Castro, não se pode regenerar aquilo que não se mede.
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