egundo fontes locais, os movimentos começaram no final de dezembro e continuam a registar-se atualmente naquela área, perto da zona de produção, o que forçou o abandono dos campos, por receio.
“Há muita movimentação de homens armados e isso cria-nos o medo de continuar nas machambas (campos agrícolas)”, disse uma fonte a partir de Quissanga.
A situação tem forçado algumas pessoas a sair para o vizinho distrito de Metuge, a mais de 50 quilómetros de Quissanga.
“Há medo porque os homens circulam por lá e sobretudo nas machambas”, acrescentou.
Não há registo de ataques nestas movimentações, mas a situação tem gerado medo e desespero entre os moradores, que receiam casos de fome nas próximas semanas, devido ao abandono dos campos agrícolas.
A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estimou no início deste mês que a província moçambicana de Cabo Delgado registou 14 eventos violentos entre 10 e 23 de novembro, envolvendo extremistas do Estado Islâmico e provocando 12 mortos, e alertou para o agravamento da situação em Nampula.
De acordo com o mais recente relatório da ACLED, dos 2.270 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, um total de 2.107 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em pouco mais de oito anos 6.341 mortos.
Leia Também: Daniel Chapo assinala “coragem” de militares no combate ao terrorismo