Tarifas trazem mais inflação e menos crescimento? “É dia de preocupação”

Ministro da Economia, Pedro Reis, falou, esta quarta-feira, acerca das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos a todo o mundo. O presidente, Donald Trump, falou em “tarifas recíprocas” e considerou-se “generoso” durante o anúncio. Para a União Europeia, Trump decidiu por tarifa alfandegárias de 20%.

Questionado na CNN Portugal como é que se olhava para este dia, que Trump descreveu como ‘Dia da Libertação’, Pedro Reis respondeu ‘à letra: “É o ‘Dia da Preocupação’. Não é tanto pelo tom mais justiceiro, é mesmo porque este é um modelo preocupante para a Economia mundial. Mesmo que fosse para aplicar tarifas recíprocas era bom que, primeiro, se definisse bem qual é o conceito de tarifa em si, como se chega ao número – no sentido em que há as tarifas propriamente ditas, mas também é referido o conceito de barreiras alfandegárias”.

Sublinhando que este já era um “aspeto nebuloso”, Pedro Reis apontou ainda que em termos do interesse da Economia e comércio mundial, mesmo quando se aplicam tarifas recíprocas era “bom que alinhasse por baixo e não por cima”. “Se um país está a aplicar mais que outro, era bom que, através de acordos, se trouxesse para baixo o país que está a aplicar mais. Isso é o que se chama, em linguagem bélica – que é péssimo para a economia -, a retaliação, ou seja, escalar as medidas”, afirmou.

O responsável pela pasta da Economia notou ainda que se a situação continuar da mesma forma, não irá acabar bem. “Este tipo de guerras tarifárias criam inflação, travam o crescimento, obrigam a um redesenho da cadeia internacional de produção. Está provado que não ajudam a acelerar a competitividade e produtividade. Os países fecham-se em fortes – e não estimula sequer o investimento”, defendeu.

O ministro reforçou que esta situação se traduz em “más notícias para o mundo” e que agora é preciso pensar com muita cautela e inteligência. “É um desafio para a União Europeia”, apontou.

Trump mostrou um quadro com as tarifas aplicadas a cada país. Quanto à UE, os países que dela fazem parte passam a pagar 20%, metade de 39% de barreiras comerciais e não comerciais estimadas. “Pensamos que a União Europeia é muito amigável, mas eles roubam-nos. É muito triste ver isso. É tão patético; [taxam produtos dos EUA a] 39%, nós vamos cobrar-lhes 20%”, frisou Trump aquando do anúncio.

Questionado sobre qual deverá ser a resposta da UE, Pedro Reis afirmou que há atualmente uma “articulação a ser feita” entre os 27 executivos e Bruxelas, o ministro garantiu: “[A resposta] Deve ser firme e inteligente, proporcional, do meu ponto de vista. Devemos ter atenção a cada um dos setores mais afetados e o que isto implica em termos de resposta conjunta”, afirmou.

E, mais concretamente, Portugal?

O ministro disse que era preciso pensar nos setores em que há dependência e que é preciso encontrar substituição “da própria importação americana”.

“Não é só o fechar o nosso mercado dos EUA. Temos de ter cuidado porque se nas retaliações pomos taxas demasiado em cima de produtos americanos, os nosso consumos intermédios vão aumentar. Um caso concreto. Para toda a indústria alimentar, agrícola, rações animais há uma componente importantíssima, que é a soja. Nós importamos dos EUA. Se entramos numa escalada e aplicamos muitas taxas excessivas à soja americana a nossa produção agrícola vai ser mais cara”, explicou, dando depois o exemplo de cabos e fibras óticas. 

“Devemos ter a parcimónia no sentido de inteligência – todos europeus em conjunto”, alertou.

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