No fim da semana passada, o vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), Roberto Grilo, realizou uma visita às produções agrícolas das empresas Miraberries, Maravilha Farms e Vitacress, no concelho de Odemira, que foram «fortemente afectadas» pela sucessão de fenómenos meteorológicos extremos registados nas últimas semanas. Esta visita «permitiu observar no terreno os estragos causados pelas intempéries, nomeadamente em infraestruturas produtivas, sistemas de apoio agrícola e culturas, bem como avaliar o impacto económico e social no tecido produtivo da região», refere a Lusomorango – Organização de Produtores de Pequenos Frutos, que acompanhou a deslocação.

Em comunicado, a Lusomorango indica que «a CCDR Alentejo tem estado, desde o primeiro dia, no terreno, a acompanhar e a apoiar o levantamento dos prejuízos, reconhecendo os impactos significativos causados no sector agrícola e na economia local, e alertando para que os agricultores afectados façam chegar aos serviços da CCDR Alentejo a identificação detalhada das perdas sofridas, condição essencial para uma resposta eficaz e ajustada à dimensão dos danos». O CEO da Lusomorango afirma que «os prejuízos são já superiores a 20 milhões de euros, só nos produtores associados» desta OP, e que «há produções que perderam mais de 70% da sua capacidade produtiva».

Neste contexto, Joel Vasconcelos reforça o apelo ao Governo, feito no início de Fevereiro, para que os apoios extraordinários anunciados «sejam alargados ao concelho alentejano, de forma a permitir que os produtores deste território se candidatem à linha de apoio prevista no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) para o restabelecimento do potencial produtivo», e para que «seja criada uma medida de emergência robusta para socorrer o sector agrícola nacional». Segundo o CEO da Lusomorango, esta OP «continuará a acompanhar de perto este processo, defendendo uma resposta célere, justa e abrangente, que permita salvaguardar a capacidade produtiva, o emprego e a sustentabilidade económica do sector agrícola em Odemira».

Recorde-se que, a 4 de Fevereiro, a Lusomorango sinalizou o «impacto severo da depressão Kristin nas explorações agrícolas do concelho de Odemira», declarando dados preliminares dos prejuízos. «Entre as quatro dezenas de produtores associados, contabilizam-se prejuízos directos provisórios já superiores a 10 milhões de euros. A destruição de infraestruturas agrícolas, sistemas de rega e outros equipamentos essenciais à produção levou, para já, à perda entre 50% a 70% da capacidade produtiva dos produtores Lusomorango», referia a organização de produtores.

Na ocasião, a Organização de Produtores apelou «para que também esta região possa aceder ao conjunto de medidas anunciadas pelo Governo, para apoio às explorações agrícolas localizadas em territórios onde foi decretado o estado de calamidade», dizendo que, «sem esse enquadramento, muitas dezenas de explorações agrícolas e milhares de empregos poderão estar em causa, por estarem impedidos de aceder aos apoios extraordinários previstos para fazer face aos estragos provocados pela tempestade». Joel Vasconcelos assinalou ainda que «o que está hoje em risco não é apenas uma campanha agrícola, mas a continuidade de uma actividade que assegura emprego, fixa população, produz alimentos e gera valor económico para o país».
O artigo foi publicado originalmente em Revista Frutas Legumes e Flores.
