Há mais de 100 anos que foram as mulheres a tomar as rédeas da Casa Cadaval, em Muge. Actualmente, a condessa é a administradora do negócio que se divide entre o enoturismo e a coudelaria.
Nos momentos mais felizes, Teresa Schönborn-Wiesentheid pode ser encontrada junto ao grande lago da barragem da Casa Cadaval, em Muge, a fazer um piquenique com a família e os cães. Lá ao fundo, as mais de 20 éguas lusitanas pintam o cenário lado a lado com a vinha de perder a vista. A condessa de Cadaval é a quinta mulher à frente da propriedade, mas recusa-se a enumerar as vantagens da liderança no feminino. As várias gerações de mulheres a conduzir os destinos da casa, garante, foram apenas fruto do acaso. Até domingo, decorre o Festival Entre Quintas, que leva a música clássica ao Ribatejo.
Um acaso que começou no século XIX, com Maria da Piedade Caetano Álvares Pereira de Melo, a 7.ª duquesa de Cadaval, a primeira mulher a ser “a dona da casa”, recorda Teresa Schönborn-Wiesentheid ao PÚBLICO, numa das salas da loja do vinho da casa, no Ribatejo. A propriedade está na posse da família desde 1648, graças ao dote de uma senhora, Maria de Faro, condessa de Odemira. “Outra vez uma senhora”, diz, com humor. No século anterior, o palácio da herdade chegara mesmo a ser habitado pela rainha D. Leonor, da Áustria, a terceira mulher de D. Manuel I.
Com a morte de Maria da Piedade, a sua nora, Graziela, “herdou a casa por usufruto” já depois de viúva e o mesmo aconteceu a Olga Cadaval, mulher de António Caetano Álvares Pereira de Melo. “A avó [Olga] era […]
