
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou esta quarta-feira a imposição de “tarifas recíprocas” sobre importações, incluindo de 25 por cento sobre todos os automóveis estrangeiros.
As tarifas de 25 por cento sobre os automóveis estrangeiros, que afetam em grande medida os países da União Europeia, entrarão em vigor a partir da meia noite de hoje, disse Trump num anúncio no jardim da Casa Branca, com diversas bandeiras dos Estados Unidos em pano de fundo e na presença do vice-Presidente e dos principais membros do governo, incluindo os secretários de Estado e da Defesa.
Antes de assinar a ordem executiva instituindo as reciprocidade de tarifas, Trump apresentou a medida como uma defesa da produção industrial norte-americana, e na audiência estavam esta quarta-feira vários operários equipados, alguns de capacete.
Após múltiplos alertas de especialistas económicos e financeiros sobre os impactos do aumento de tarifas na inflação nos Estados Unidos e no comércio económico global, o anúncio de Trump foi feito depois do fecho dos mercados bolsistas norte-americanos, que encerraram esta quarta-feira em alta ligeira.
A imposição de tarifas foi esta quarta-feira apelidada pelo Presidente de “Dia da Libertação”, após Donald Trump ter anunciado nos últimos meses aumentos de 25% dos direitos aduaneiros sobre as importações de aço, alumínio, automóveis e peças de automóveis.
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Por Raquel Rio, da agência da Lusa
Os Estados Unidos da América (EUA) e a União Europeia reafirmaram esta quarta-feira o interesse estratégico do Corredor do Lobito, realçando a solidez das parcerias entre os países dos dois lados do Atlântico.
Em declarações aos jornalistas, o embaixador James Story, encarregado de negócios dos EUA em Angola, sublinhou que o Corredor é demonstrativo da importância das parcerias entre o setor público e privado, bem como entre países, destacando as fontes de financiamento internacionais para os diferentes projetos.
O Corredor do Lobito é uma infraestrutura ferroviária que atravessa Angola ao longo de 1300 quilómetros ligando o Porto do Lobito (litoral) à fronteira com a República Democrática do Congo para escoar a produção de minerais críticos das regiões do Copperbelt (RDCongo) e Kolwezi (Zâmbia).
A operação é assegurada pela Lobito Atlantic Railway (consórcio que integra a portuguesa Mota-Egil, a suíça Trafigura e a belga Vecturis), e deverá contar com um investimento de quase mil milhoes de dólares, parcialmente financiados pela Development Finance Corporation (DFC) e pelo Development Bank of Southern Africa.
O Corredor está também inscrito na iniciativa europeia Global Gateway, tendo o bloco europeu anunciado um pacote de 600 milhões de euros através da Partnership for Global Infrastructure and Investment (PGII) desenvolvida no âmbito do G7
A embaixada norte-americana em Luanda promoveu nos últimos dois dias uma ofensiva diplomática com 17 embaixadores europeus e de outras nacionalidades para uma visita ao Corredor do Lobito para demonstrar o potencial da infraestrutura, percorrendo alguns projetos emblemáticos
“(Sobre esta visita) o mais importante é que estamos aqui todos juntos (…) trabalhando com o povo angolano, com o governo angolano para o desenvolvimento sustentável. A mensagem dos EUA é que vamos continuar a trabalhar para estas oportunidades do setor privado”, salientou James Story.
Questionado sobre a suspensão de alguns projetos da agência norte-americana USAID que estavam associados ao Corredor do Lobito e direcionados para o apoio às mulheres agricultoras, James Story salientou que os EUA continuam a levar em conta as comunidades locais, afirmando que os projetos empresariais também trazem oportunidades.
Quanto aos restantes projetos de financiamento, junto da DFC e de entidades como o Exim Bank disse que não estão em risco, referindo que são processos que levam algum tempo para que o desembolso seja concoretizado.
“Temos ouvido dizer que estamos a afastar-nos deste projeto , o que não é verdade. Estamos aqui a demonstrar que temos um compromisso com estes projetos e que vamos continuar a trabalhar com os nossos parceiros”, reiterou, acrescentando que o Presidente Trump quer negócios.
A visita serve também como uma antecâmara da cimeira de negócios EUA-Africa que vai realizar-se em Luanda entre os dias 22 e 25 de junho, para o qual foram convidados 2000 empresários e representantes de vários países de África.
O Corredor do Lobito foi uma prioridade da anterior administração de Joe Biden, que visitou a infraestrutura em dezembro passado e disse que em Africa não havia país mais importante para os EUA do que Angola.
Sobre a importância que Africa e Angla têm para a nova administração Trump, James Story destacou que o papel de África é crescente
“Africa é um continente em que todos nós temos interesse”, declarou.
Também a embaixadora europeia, Rosário Bento Pais, enfatizou que o “Corredor do Lobito é para ficar” porque interessa a europeus mas também aos EUA.
“A razão porque estão a visitar o Corredor do Lobito é porque estamos juntos”, disse aos jornalistas durante uma viagem de comboio com a comitiva diplomática entre Huambo e o Lobito.
Neste momento, sublinhou, os EUA já estão a beneficiar dos minerais que são transportados no Corredor, “coisa que a União Europeia não está apesar do transporte ser feito por empresas privadas europeias”.
“Por isso não estou a ver o desinteresse dos EUA em algo de que estão a beneficiar, mas se isso acontecer vamos avaliar não vamos deixar ficar para trás o corredor do Lobito”, garantiu Rosário Bento Pais.
O embaixador português Francisco Alegre Duarte, que também integra a comitiva disse que as empresas portuguesas são “parceiros fundamentais de qualquer investidor estrangeiro em Angola, pelo seu profissionalismo e conhecimento do país” e salientou que é importante do lado angolano fazer um “trabalho de sedução” junto dos investidores portugueses, tratando com “um carinho especial” as empresas que já se encontram em Angola.
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