em anunciarem de imediato quaisquer represálias concretas, alguns destes países estão tentar dar prioridade a negociações.
Um porta-voz do Ministério do Comércio da China condenou o “unilateralismo, o protecionismo e a intimidação das medidas dos Estados Unidos”, mas sublinhou que Pequim quer “manter a comunicação” com Washington.
As novas tarifas são um duro golpe para a economia global, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acrescentando que “não é tarde demais” para negociar, mas que os europeus estão a trabalhar num “novo pacote de contramedidas”.
O Presidente de França, Emmanuel Macron, vai reunir-se na tarde de hoje com os responsáveis dos principais setores afetados (aeronáutica, bens de luxo, agricultura e vinho).
Já o chanceler alemão, Olaf Scholz, classificou as decisões de Trump de “fundamentalmente erradas”, mas disse estar “disponível para discutir e evitar uma guerra comercial com o Governo dos Estados Unidos”.
A primeira-ministra Giorgia Meloni, que lamentou uma “má medida” na noite de quarta-feira, “cancelou os compromissos previstos para hoje para se concentrar nas medidas a tomar”, divulgou o seu gabinete.
O aumento das taxas alfandegárias terá “um impacto económico, tanto a nível nacional como global”, afirmou hoje o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, sublinhando que o seu país foi relativamente poupado por Trump (com tarifas a 10%) e está a negociar um acordo com os Estados Unidos”.
O chefe de Governo do Vietname, cujo país enfrenta tarifas enormes de 46%, apelou hoje à criação imediata de uma “equipa de resposta rápida”. Já os executivos da indústria do vestuário do Bangladesh disseram que Donald Trump desferiu um “golpe duro” ao segundo maior fabricante de vestuário do mundo, impondo tarifas de 37% ao país.
“O respeito pelo direito internacional e pelo comércio livre são fundamentais”, afirmou a Presidente suíça, Karin Keller-Sutter, cujo país está sujeito a tarifas de 31%, acrescentando que Berna “definiria rapidamente o que se segue”.
A Tailândia tem um “plano sólido” para responder às tarifas de 36% que enfrenta e espera negociar uma redução, disse hoje o primeiro-ministro do país, Paetongtarn Shinawatra.
“A guerra tarifária global tornou-se uma realidade”, lamentou o Presidente interino sul-coreano, Han Duck-soo, que prometeu “utilizar todos os recursos do Governo para ultrapassar a crise comercial”.
As novas tarifas de 30% impostas às importações sul-africanas são preocupantes e realçam a necessidade urgente de um novo acordo comercial bilateral, afirmou o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.
“O comércio globalizado beneficiou toda a gente. Não compreendo porque é que os Estados Unidos querem iniciar uma guerra comercial contra a Europa. Ninguém ganha, todos perdem”, afirmou o Ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen. Já o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, declarou “lamentar profundamente” que os Estados Unidos tenham “tomado uma direção destinada a restringir o comércio”.
“Este é o revés mais sério para o comércio mundial aberto e livre desde o período entre guerras”, disse o ministro da Economia norueguês, Jens Stoltenberg.
“Não há vencedores numa guerra comercial”, afirmou o primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo.
“Estas tarifas não são inesperadas, mas sejamos claros: são completamente injustificadas”, disse o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, lamentando um “gesto que não é de um amigo” e temendo uma deterioração das relações entre os dois países.
O Congresso brasileiro adotou por unanimidade uma “lei de reciprocidade”, dando ao Governo do Brasil os meios para responder às barreiras comerciais às suas exportações.
O Governo dos Estados Unidos acredita que “pode aumentar a produção, a riqueza e o emprego. Na minha opinião, isto pode ser um grande erro”, disse o Presidente colombiano, Gustavo Petro.
De acordo com a referida tabela, a China aplica tarifas de 67% sobre produtos norte-americanos e os seus produtos passam a pagar 34 por cento para entrar nos Estados Unidos; os países da União Europeia (UE) passam a pagar 20 por cento de tarifas, metade de 39% de barreiras comerciais e não comerciais estimadas.
Para aceder ao mercado norte-americano, os produtos do Japão passam a pagar 24%, os da Índia 26%, de Taiwan 32% e do Vietname 46%.
Ao Reino Unido e Brasil passam a ser aplicados 10%, correspondentes ao aplicado aos produtos norte-americanos, disse ainda Trump.
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